Imagem retirada do Facebook* Crédito ao dono*
Odeio quando dizem que sou nova demais e que ainda tenho muito que viver. Sei que ainda sou muito jovem, afinal, tenho apenas 22 anos, mas mesmo aos 22 sinto que já tive toda a cota de merdas que uma vida poderia ter, sei também que é provável muita merda me acontecer ainda e isso me emputece. 
Às vezes me sinto quebrada, pareci que antigamente eu tinha mais cores e depois que uma grande quantidade de coisas ruins foi acontecendo – decepções e perdas – minha cor foi desbotando, pouco a pouco; e tem dias que consigo ser cinza e branco, que sou uma tempestade feita apenas de raios e trovões.
Acontece que eu gostaria muito de voltar a ser cheia de cores, brilho e unicórnios, mas a vida é uma vadia que me deu surra atrás de surra, numa delas acabei perdendo minha paleta de cores. Então aqui estou, sendo cinza com branco, sendo raios e trovões.
Talvez seja por isso que perdi a habilidade de fazer amigos, que evito contato humano e me abstenho com a arte –filmes, séries, música e livros- porque sinto que eles podem acrescentar algum brilho na minha escuridão enquanto as pessoas, principalmente aquelas que não me conhecem, podem me tirar mais cor e talvez a certa altura reste apenas o cinza ou branco. A vida me endureceu, parece que a infância, a inocência de ser criança ficou perdida em um universo quase que paralelo de tão distante que está.
 Agora seria o momento perfeito pra começar a dizer que tudo vai dar certo no final e que novas possibilidades vão surgir, mas também odeio quando mandam esse papo de superação pra cima de mim, sendo assim vou vivendo como dá mesmo desbotada, mesmo com toda bagagem que às vezes o peso se torna insuportável, continuo de pé. {talvez esteja um pouco torta por conta dessa bagagem, mas ainda sim de pé}.
Talvez você termine de ler esse texto e pense “será que ela tem só 22 anos mesmo e não 50?” outro cenário provável é você me achar uma louca pessimista que só escreve merdas, talvez. Mas pode ser que um dia você se olhe no espelho e veja todos os seus fracassos e desilusões e se pergunte como chegou nesse ponto, como você conseguiu sobreviver a tudo isso mesmo que tenha sido tombo atrás de tombo e que ainda tenha muitas feridas abertas que sangram muito, talvez você se lembre de mim e do meu texto pessimista de merda. Talvez quando você ler meus próximos textos sobre amor e borboletas você se dê conta que mesmo na merda estou bem e que você também é capaz de ficar.
E pra fechar com chave de ouro esse texto, vou citar mais uma vez uma narração de Greys Anatomy que eu acho que se encaixa perfeitamente aqui. {porque eu gosto, porque eu quero e porque eu posso}
Se lembra de quando era pequeno e sua maior preocupação era, tipo, se você ia ganhar uma bicicleta de aniversário ou se ia ter biscoito no café da manhã? Ser adulto? Total superestimado! É sério, não se engane por aqueles lindos sapatos, ótimo sexo e a falta dos seus pais te dizendo o que fazer. Ser adulto significa ser responsável. Responsabilidade é realmente uma porcaria. De verdade mesmo. Adultos têm que estar em certos locais e têm que ganhar a vida para pagar o aluguel. E se você estiver treinando para ser cirurgião, pra segurar um coração humano nas mãos, hein? Isso que é responsabilidade. Meio que faz bicicletas e biscoitos parecem bons demais, né? A parte mais assustadora da responsabilidade? Quando você estraga com tudo e a deixa escorrer por entre seus dedos…” 
[…]
Responsabilidade é realmente uma porcaria. Infelizmente, uma vez que você passa da fase dos aparelhos e do primeiro sutiã, a responsabilidade não vai embora. Ou alguém nos força a encará-la ou então sofremos com as consequências. E, ainda assim, ser adulto tem seus pontos altos. Quer dizer, os sapatos, o sexo e a falta dos seus pais te dizendo o que fazer. Isso é muito, muito bom!”
O que estou tentando dizer desde o começo é que ninguém diz quando a gente é pequena o quão chato é ser adulto, o quão difícil e trabalhoso pode ser. Ninguém diz que às vezes você pode se perder e demorar um pouco pra achar o caminho de volta, você tem que aprender da pior maneira possível, que é crescendo. E se tem uma coisa que eu descobri nesse pouco tempo de vida que eu tenho é que crescer dói, amadurecer e se tornar adulto tem o seu preço e às vezes você tende a se perguntar se o preço que está pagando não é alto demais.



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